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(22/02/2012)

Tipos de Drogas

As drogas atuam no cérebro afetando a atividade mental, sendo por essa razão denominada psicoativas. Basicamente, elas são divididas três tipos:

Drogas que diminuem a atividade mental (Depressoras)
Afetam o cérebro, fazendo com que funcione de forma mais lenta. Essas drogas diminuem a atenção, a concentração, a tensão emocional e a capacidade intelectual.
Exemplos: Ansiolíticos (tranquilizantes), álcool, inalantes (cola), narcóticos (morfina, heroína). 

Drogas que aumentam a atividade mental (Estimulantes)
Afetam o cérebro, fazendo com que funcione de forma mais acelerada.
Exemplos: Cafeína, tabaco, anfetamina, cocaína, crack.

Drogas que alteram a percepção (Alucinógenas)
Provocam distúrbios no funcionamento do cérebro, fazendo com que ele passe a trabalhar de forma desordenada.
Exemplos: Maconha, cogumelo, perturbadores sintéticos (LSD), anticolinérgicos (plantas e medicamentos).

As substâncias psicoativas com potencial de abuso são alvo da preocupação da sociedade brasileira, devido ao aumento considerável do consumo das mesmas nas últimas duas décadas, tornando-se cada vez mais precoce entre adolescentes e mesmo crianças.

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A Importância do Problema e a Complexa Questão das Drogas

O abuso e dependência de substância psicoativas no Brasil é um grave problema de saúde pública que atinge, de forma direta e indireta, mais de 50% da população brasileira. Estudos populacionais realizados pelo CEBRID- Secretaria Nacional Anti-Drogas, em 2005, mostram que 12,3% da polulação apresenta dependência de álcool e ao somarmos a outras drogas teremos cerca de 15% de dependentes de drogas, exceto o tabaco. Como estas pessoas tem na sua relação mais próxima pelo menos duas ou três pessoas (codependentes), que são profundamente afetadas pelas consequências desta doença, teremos mais de 50% da população (é) atingida pela dependênica química.

Esta questão faz parte do nosso cotidiano. Cada vez mais, o problema do uso e abuso de drogas permeia nosso meio. Gerações após gerações parecem sucumbir sem forças diante do poderio dos tóxicos, e de tudo o que os rodeia, como o tráfico, a violência, as perdas financeiras e o pior, os danos severos à saúde.

Diante deste quadro desolador é nosso dever reagir, mas de maneira ordenada, eficiente, com estratégias claras e objetivas, uma vez que o problema é complexo, na mesma medida em que se mostra aterrador. 

As drogas mais usadas no Brasil

1 - Álcool 74,6%
2 - Tabaco 44,0%
3 - Maconha 8,8%
4 - Solventes 6,1%
5 - Benzodiazepínicos 5,6%
6 - Orixígenos 4,1%
7 - Estimulantes 3,2%
8 - Cocaína 2,9%
9 - Xarope (codeína) 1,9%

Cerca de 208 milhões de pessoas (4,9% da populacao mundial) usaram drogas ao menos uma vez nos últimos 12 meses, e 26 milhões – 0,6% da população- são dependentes.

Fonte:
CEBRID- II levantamento domiciliar sobre o uso de drogas População de 12 a 65 anos de idade – 2005.

Definição de droga OMS:
Para a Organização Mundial de Saúde – OMS – DROGA é qualquer substância natural ou sintética que, ao ser fumada, inalada, ingerida ou injetada, provoca alterações psíquicas, sentidas como agradáveis numa primeira fase, mas que cria dependência, tornando as pessoas incapazes de viverem normalmente e integradas na sociedade.

Diferença entre Uso, Abuso e Dependência
Para que possamos falar em tratamento precisamos deixar bem claro a diferença entre Uso, Abuso e Dependência, em que pese o fato de não existir uma fronteira clara entre esses conceitos.

Poderíamos definir “uso” como qualquer consumo de substância, seja para experimentar, seja esporádico ou episódico; “abuso” ou “uso nocivo” como o consumo de substâncias já associado a algum tipo de prejuízo (biológico psicológico ou social); e por fim, “dependência” como o consumo sem controle, geralmente associado a problemas sérios para o usuário. Isso nos dá uma idéia de continuidade, como evolução progressiva entre esses níveis de consumo: os indivíduos passariam, inicialmente, por uma fase de uso, alguns deles evoluiriam posteriormente para o estágio de abuso e, finalmente alguns destes últimos tornar-se-iam dependentes químicos.

A Figura 1 mostra estas duas dimensões. No eixo horizontal temos a dimensão da “dependência”, entendida como um fenômeno que pode ser caracterizado em tantos graus quantos se queiram, conforme necessidades clínicas, terapêuticas ou de pesquisa. No eixo vertical, está representada a ampla variedade de problemas associados ao uso de drogas, incluindo os de natureza física, psicológica, familiar e social, que também pode ser categorizada em diversos graus. A sobreposição dos dois eixos forma quatro quadrantes: A, B, C e D. 
   

img-quadrantes-drogas.jpg

 Figura 1. Psicopatologia da dependência química e problemas associados.

Quadrante A – Neste quadrante, localizamos os indivíduos que, independente de seus padrões de ingestão, não apresentam indicação alguma de dependência, bem como de problemas associados ao uso. Em relação ao álcool, seriam eles chamados de bebedores sociais.

Quadrante B – Aqui encontramos indivíduos cujo padrão de ingestão já lhe traz algum tipo de dano, prejuízo, complicações ou problema que afeta seu funcionamento físico, psíquico, familiar ou social. No entanto, eles não evidenciam o menor grau de dependência. Na literatura técnica, seriam chamados de usuários problemáticos e/ou definidos como abusadores.

Quadrante C – Representa os indivíduos cujos padrões de ingestão acham-se, evidentemente, associados a danos, prejuízos, complicações ou problemas e que apresentam, inequivocamente, algum grau de dependência. Estes indivíduos são os dependentes propriamente ditos. 

Quadrante D – É uma possibilidade inexistente, uma vez que é inconcebível um individuo com algum grau de dependência, ainda que mínimo, sem que ao menos o próprio diagnóstico de dependência não seja considerado um problema.


Esta divisão em quadrantes é a usada nos dias de hoje para descrever o padrão de consumo de drogas. Indica as diferentes formas e níveis de relacionamento dos indivíduos com a dependência do álcool e outras drogas, estabelecendo padrões peculiares de consumo ao longo do tempo, ressaltando-se que a pessoa pode ter problemas com qualquer padrão de consumo.

As classificações do DSM-IV e o CID-10 têm critérios similares para dependência química. O mesmo não acontece, entretanto, com o diagnóstico de uso nocivo. Um ponto comum entre estas classificações é a impossibilidade do diagnóstico de uso nocivo em um indivíduo que atualmente preenche critérios para dependência. Por outro lado, o DSM-IV exclui o diagnóstico de uso nocivo num indivíduo que alguma vez foi dependente, enquanto a CID-10 não impede o diagnóstico posterior de uso nocivo em um indivíduo com diagnóstico de dependência no passado. 

Critérios Diagnósticos
A OMS considera ainda que o abuso de drogas não pode ser definido apenas em função da quantidade e freqüência de uso. Por isso após muito estudo e pesquisa temos descritos os critérios para Uso Nocivo e Dependencia quimica:

Critérios do DSM-IV para Uso Nocivo de Substâncias

A. Padrão de uso disfuncional de uma substância, levada a um comportamento ou desconforto clinicamente significativo, manifestado por um ou mais dos seguintes sintomas:
   1. Uso constante da substância, resultando no fracasso em cumprir obrigações no trabalho na escola ou em casa.
   2. Uso constante da substância em situações fisicamente comprometedoras
   3. Problemas legais constantes relacionados com o uso da substância.
   4. Uso contínuo da substância, apesar de ter um problema social ou interpessoal persistente ou constante, ou que seria exacerbado pelos efeitos da substância.

B.
Nunca preencher os critérios para dependência desta substância.

Critérios do DSM-IV para Dependência de Substâncias

Um padrão de uso disfuncional de uma substância, levando a um comprometimento ou desconforto clinicamente significativo, manifestado por três (ou mais) dos seguintes sintomas, o correndo durante qualquer tempo, num período de 12 meses:

1. Tolerância, definida por um dos seguintes critérios:
   a) Necessidade de quantidades nitidamente aumentadas de substâncias para atingir intoxicação ou o efeito desejado.
   b) Efeito nitidamente diminuído com o uso contínuo da mesma quantidade da substância.

2. Abstinência, manifestada por um dos seguintes critérios:
   a) Síndrome de abstinência característica da substância.
   b) A mesma substância (ou outra bastante parecida) é usada para aliviar ou evitar sintomas de abstinência.

3. A substância é freqüentemente usada em grandes quantidades, ou por período maior do que o intencionado.

4. Um desejo persistente ou esforço sem sucesso de diminuir ou controlar a ingestão da substância.

5. Grandes períodos de tempo utilizados em atividades necessárias para obter a substância, usá-la ou recuperar-se de seus efeitos

6. Reduzir ou abandonar atividades sociais, recreacionais ou ocupacionais por causa do uso da substância.

7. Uso continuado da substância, apesar do conhecimento de ter um problema físico ou psicológico persistente ou recorrente que tenha sido causado ou exacerbado pela substância.

Critérios da CID-10 para Uso Nocivo de Substâncias

O diagnóstico requer que um dano real tenha sido causado à saúde física e mental do usuário.

Padrões nocivos de uso são frequentemente criticados por outras pessoas e estão associados a consequências sociais adversas de vários tipos.

Uso nocivo não deve ser diagnosticado se a síndrome de dependência, um distúrbio psicótico ou outra forma específica de distúrbio relacionado com o álcool ou drogas estiver presente.

Critérios da CID-10 para Dependência de Substâncias

O diagnóstico de dependência deve ser feito se três ou mais dos seguintes critérios são experienciados ou manifestados durante o ano anterior:

1. Um desejo forte ou senso de compulsão para consumir a substância.

2. Dificuldades em controlar o comportamento de consumir a substância em termos de início, término ou níveis de consumo.

3. Estado de abstinência fisiológica, quando o uso da substância cessou ou foi reduzido, como evidenciado por: síndrome de abstinência característica para a substância, ou o uso da mesma substância (ou de uma intimamente relacionada) com a intenção de aliviar ou evitar os sintomas de abstinência.

4. Evidência de tolerância, de tal forma que doses crescentes da substância psicoativa são requeridas para alcançar efeitos originalmente produzidos por doses baixas.

5. Abandono progressivo de prazeres ou interesses alternativos em favor do uso da substância psicoativa: aumento da quantidade de tempo necessária para obter ou tomar a substância ou recuperar-se de seus efeitos.

6. Persistência no uso da substância, a despeito de evidência clara de conseqüências manifestamente nocivas, tais como dano ao fígado por consumo excessivo de bebidas alcoólicas, estados de humor depressivos conseqüentes a períodos de consumo excessivo da substância, ou comprometimento do funcionamento cognitivo relacionado com a droga: deve-se procurar determinar se o usuário estava realmente consciente da natureza e extensão do dano.

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